Em 1978 e na minha propriedade em plenos barros de Beja, plantei o meu 1º pomar de nogueiras (250 árvores da variedade franquette, mais as correspondentes polinizadoras).
No ano seguinte plantei mais 250 e da mesma variedade. O porta enxertos quer de umas quer de outras era “juglans regia”. Assim começou o meu pomar de nogueiras em pleno Baixo Alentejo e que hoje tem 2.800 árvores, com compassos de 8x7 a 4,5x5 e produções de 25 Ton, mais ou menos.
Em 1983 abandonei as variedades francesas e virei-me para as variedades americanas, mais propriamente a hartley e a serr, com os porta enxertos (regia, nigra, hinsii e paradox).
Nos últimos 5 anos e assim penso continuar, não planto árvores mas semeio nozes no local exacto de uma futura árvore, evitando os inconvenientes da transplantação e enxerto normalmente passado um ano nas variedades que eu elegi como as mais interessantes. As nozes que escolho são e apenas as variedades de árvores quase centenárias da região, muito pequenas e muito rijas. Creio ser uma régia regional, mas que têm tido um comportamento extraordinário.
A 500 franquettes iniciais foram, entretanto passados 17 anos enxertadas em chandler, operação que eu hoje não faria apesar da franquette não ser a mais aconselhada para o Alentejo. Durante todo este tempo fui plantando outras variedades (chandler, fernor, lara, theama, tular, vina, pedro, amigo, mayette, trompito…), permitindo-me assim, principalmente com maior disponibilidade de tempo de há 7 anos a esta parte, poder seleccionar as que me parecem mais aconselháveis para aquele clima, bem como os porta enxertos com melhor comportamento.
A tarefa não é fácil, pois qualquer conclusão exige pelo menos 15 anos para os porta enxertos 7/8 anos, pelo menos, para as variedades produtivas. Neste estudo e como é óbvio, tenho em consideração, a precocidade, a produção, a qualidade do miolo, o rendimento do miolo, a resistência á bacteriose e antracnose, a aceitação no mercado, as respectivas podas a resistência ao escaldão.
Quanto aos porta enxertos interessa-me o seu potencial e a adaptação aos nossos solos.
Para a recolha das nozes e seu tratamento para as colocar no mercado, fui e á medida das necessidades adquirindo as respectivas máquinas: de tirar o cascarão, estufas de secagem, calibradora, extracção das chochas, tabuleiro de escolha, ensacar e vibrador das árvores.
Na imagem seguinte é apresentada uma nogueira enxertada há 6 meses. O enxerto foi feito em planta de noz semeada há um ano e a 30 cm do solo.
Tapete de transporte das nozes para as máquinas de extracção do cascarrão e tapete para transporte das mesmas e já limpas para a estufa de secagem.
Transporte das nozes após recolha no campo para as máquinas de extracção do cascarrão.
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Saída das nozes da máquina de extracção do cascarrão para o tapete de carregamento das estufas.Carregamento da estufa de secagem.
Estufa de secagem das nozes:
- Capacidade 1 tonelada.
- Tempo de secagem, 30 a 48 horas.
- Fonte de calor - Gás natural
Máquina de calibrar
Máquina de calibrar, máquina de extracção das nozes sem miolo e tapete de recolha e ensacagem.
Tabuleiro de escolha das nozes e tapete para a ensacagem.
Nogueira da variedade Franquette reenxertada em Chandler e recentemente em Howard. O processo utilizado em ambos os casos foi o de enxertia em garfo de topo.
Nogueira da variedade Tehama com evidência de vários amentilhos (flores masculinas ) e flores femininas já polinizadas, onde são visíveis nozes pequeninas.
Nogueira da variedade Tulare onde são evidentes as flores femininas e amentilhos (flor masculina ).
Variedade Paradox,utilizada como porta enxertos.Vê-se um saco amarelo que utilizei para a polinização artificial (que previamente enchi de amentilhos),pois quer dela, quer das nogueiras vizinhas não havia pólen disponível.
Nogueira da variedade Howard em frutificação, com evidência das flores femeninas prontas a receber o pólen, que no caso das nogueiras é transportado pelo vento.
Vibração das nogueiras
QUESTÕES PERTINENTES
(actualizado em 4 de Março 2012)
Por me terem sido expostas várias questões a que dou resposta pontualmente, resolvi equacioná-las no blogue.
Quais as variedades aconselháveis?
Para o Norte e por causa das exigências em frio e das geadas, devem-se plantar variedades de floração tardia: as francesas franquette, fernor e nas terras mais soalheiras a lara e a americana tulare
No Sul é preferível optar pelas variedades americanas de floração mais precoce e menos exigente em frio: serr, hartley, tulare, howard e a francesa lara. A chandler é uma variedade muito badalada, mas quer as que eu plantei ou enxertei, quer as que tenho acompanhado noutros pomares, não são de modo algum aconselháveis.
Quando começa a haver retorno do capital investido?
Numa exploração com boas árvores, em terra profunda, não alagadiça e com tratamento adequado, nunca antas dos 8/10 anos.
Como funciona o mercado ?
Noz em casca – muito mal, pois o mesmo é dominado pelas grandes superfícies que cobrem mais de80% das vendas de nozes, mas de calibres muito baixos (26/27 e 28/30) e a preços de aquisição em conformidade com os mesmos e com a qualidade. Estes calibres e numa produção normal em Portugal representam 5 a 10%. Que fazer dos restantes 95/90%? Nós produzimos cerca de 5% do consumo Nacional, mas não havendo protecção á nossa produção, não há volta a dar.
Miolo de noz – o preço de aquisição (do Leste e da índia) pelos compradores, é muito baixo (a qualidade, principalmente o miolo com origem na Índia é francamente mau), pelo que é impossível praticá-lo. É de referir que para se obter um quilo de miolo são necessários dois de noz em casca, das variedades referidas, pois para outras serão necessários três Kgs.
Qual a produção dum pomar?
Nas variedades francesas poderá chegar-se em média aos 1.500/1.800 kgs e por excepção aos 2.0000. Nas variedades americanas se chegar aos 2. 000 Kgs é bom; daí para cima é muitíssimo bom.
Compasso ?
Nunca inferior a 7x8.
Necessidades de água?
Variável conforme a textura do terreno e a região. No meu caso pessoal, em terras de barro e no Sul a média diária é de 80 litros e a rega vai normalmente desde Abril até meados de Setembro.
Viveiros ?
Muito complicado. É preciso ter muito cuidado com os porta enxertos e as variedades que pretendemos, alem da sanidade das árvores.
Porta enxertos ?
Dos que conheço (régia, nigra e hindsii) não tenho dúvidas em preferir a régia; os paradox dizem ser bom, ando a testá-lo, mas ainda não o conheço suficientemente bem.
Tratamentos fitossanitário ?
No Norte 2/3 tratamentos, normalmente contra o bichado; no Sul nunca menos de 7/8 e pode chegar aos 11 como foi o meu caso em 2011 (bacteriose e antracnose, bichado, ácaros, piolho. necrose apical e broca). A broca e quando se instala num pomar precisa de atenção especial pois em pouco tempo pode levar à sua total destruição .
Mínimo de área a plantar ?
Considerando o tractor e as alfaias de manejo da terra, tornam-se necessário as seguinte máquinas; pulverizador, de vibrar, descascadora, secagem, calibragem, extracção das chochas e mesa de escolha e ensacagem. Para a mínima rentabilização nada menos que 15 Ha.
Data da apanha ?
Depende das variedades, mas podemos sem margem de grandes erros, afirmar; no Norte fim do mês de Outubro, no Sul em meados de Setembro.
Prazo da validade das nozes?
Não sendo branqueadas (lixiviadas) 10 a 11 meses em condições normais de armazenamento. As lixiviadas menos 3/4 meses.
Enxertias
As que eu pratico e com êxito, é a fenda inglesa e garfo de topo (95% de aproveitamentos). A experiência em garfo de topo e para reconversão que pratiquei em troncos de árvores adultas, correram muito bem nos primeiros anos, mas passados 5/6 anos constatei ser um desastre total.
Para mais contactos:
Cor. João Machado Tété
Telemóvel - 969547152
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